Como o número é obtido
A rede vem da Base Hidrográfica Ottocodificada 2017 (1:5.000) da Agência
Nacional de Águas, recortada nos trechos de ordem de Strahler 5 ou mais. Cada trecho traz
sua área de drenagem a montante e o trecho de jusante, então a direção do fluxo — inclusive
a do movimento animado — não é inferida do terreno: ela já vem na base.
A vazão medida vem das séries históricas das estações fluviométricas da ANA,
de a . Para cada estação com pelo menos cinco
anos de dados, a vazão média de longo termo dividida pela área de drenagem dá a
vazão específica daquele pedaço de bacia — no Brasil isso vai de menos de
1 L/s/km² na caatinga a cerca de 60 no litoral mais chuvoso.
Cada trecho recebe a vazão específica interpolada das estações vizinhas, aplicada apenas
à área que entra nele, e esse volume desce pela rede somando trecho a
trecho até a foz. Onde uma estação mede o trecho, o valor medido substitui o acumulado e
vale para todo o curso a jusante.
Os reservatórios são os do Sistema Interligado Nacional acompanhados pela
ANA, com a média de 22 anos de operação diária: quanto passou pelas turbinas, quanto foi
vertido e quanto chegou de montante.
A bacia na ficha de cada trecho vem de descer a rede pelo trecho de jusante
até a foz (ou até a fronteira, para os rios que saem do país) e nomear o resultado pelo nome
oficial da ANA naquele ponto. Só as 22 maiores por quilômetro de rio ganham
nome na ficha — o resto, cerca de um quinto da rede, fica sem essa linha. A régua não é a
área de drenagem: o Tocantins deságua no complexo estuarino do Amazonas antes de ganhar nome
de rio outra vez, então sem esse ajuste ele apareceria como "Baía de Marajó".
Quanto isso erra: retirando um quinto das estações, reestimando a rede sem
elas e comparando nos trechos que elas mediam, % das estimativas ficam
dentro de 2× do valor observado e % dentro de 1,5×, sem viés
sistemático (mediana ×). Nos grandes rios da Amazônia a estimativa
fica a menos de 10% das vazões publicadas.
A imagem de satélite é opcional e desligada por padrão — é a única parte
desta página que busca algo na rede; o resto abre offline. Ela é o mosaico sem nuvem
Sentinel-2 cloudless de 2016, da EOX, sob CC BY 4.0. Serve para conferir o
leito, o reservatório e o entorno do trecho — não serve para ler mudança:
é composto de um ano só, uma década mais velho que as vazões desta página, então
desmatamento, lavoura nova ou barragem recente não aparecem. A largura do rio na imagem é
mediana de 2016, não medição: o número é a vazão.
Onde erra mais: a estimativa ignora barragens, transposições e captações —
no São Francisco e no Paraná, fortemente regulados, o número se afasta do regime natural.
E a rede cobre as bacias inteiras, inclusive os trechos em território vizinho, onde não há
posto brasileiro medindo: no Uruguai e no Paraguai a vazão sai perto do dobro do publicado.
É um retrato de ordem de grandeza, não um dado operacional.